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“45 dias”, por Olavo Soares

6 de setembro de 2016

Falta menos de um mês para as eleições municipais, e a disputa está longe, mas bem longe, de receber grande atenção da imprensa e dos cidadãos em geral. A concorrência é desleal: o impeachment acabou de ser concluído e estamos vivendo um ciclo olímpico e paraolímpico em nosso país que, provavelmente, não será repetido nas próximas décadas. Ainda assim, é curioso ver como pouco se tem falado sobre os candidatos às vagas em prefeituras e câmaras municipais.

Não é só impressão. Pesquisas revelam que os brasileiros estão mesmo desinteressados na disputa desse ano. Vejamos a comparação entre o pleito atual e o de 2012, última ocasião em que os brasileiros escolheram prefeitos e vereadores. Em julho de 2012, 30% dos porto-alegrenses e 35% dos belo-horizontinos demonstravam “muito interessados” nas eleições municipais, de acordo com pesquisa do Datafolha. Já no fim de agosto de 2016, são 14% dos moradores da capital mineira e 19% dos da capital gaúcha que têm muito interesse na disputa de outubro. E notem que a pesquisa de 2016 foi feita com mais proximidade das eleições do que a de quatro anos antes, portanto seria lógico esperar um interesse maior.

Poderíamos citar o impeachment e a Olimpíada como fatores que motivariam esse desinteresse, como já foi dito. Porém, ainda que não se possa desmerecer esses fatos, parece que o tempo curto de campanha é o elemento-chave nesse processo. Com o intuito de reduzir os custos das eleições, a Justiça determinou que a partir desse ano a campanha pudesse ser efetivada somente em 45 dias, ao contrário dos 90 habituais. A medida pode ter tido uma intenção nobre, mas, a princípio, fragilizou o debate político e, por extensão, o próprio sistema democrático.

Reduzir o gasto por candidatos e partidos é uma demanda mais do que essencial para o país. Porém, a impressão inicial que o encurtamento das campanhas dá ao ser implantado na prática é que aparenta impróprio à realidade brasileira.

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