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“Abuso sexual infantil: um crime silenciado pela Justiça”, por Gabriela Guerreiro

15 de setembro de 2016

Todos os anos, no Brasil, são registradas mais de 25 mil novas denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes. São estupradores e pedófilos que se aproveitam da fragilidade daqueles que mais precisam de proteção para cometer um crime abominável, monstruoso, que deixa marcas profundas e destrói famílias em todo o país.

O mais recente caso que chocou o Brasil foi o do coronel reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro, de 62 anos, flagrado em um carro com uma criança nua em um posto de gasolina, à noite. A denúncia só veio à tona porque os policiais chamados para o flagrante não sucumbiram à proposta indecorosa de suborno, feita pelo criminoso.

O que também pode ter feito a diferença, neste caso, foi o vazamento do vídeo que mostra Pedro Chavarry Duarte tentando subornar os policiais que foram apurar a denúncia. Com a notoriedade do caso, e pressão da opinião pública nas redes sociais, o comando da PM foi obrigado a levá-lo para a detenção, em prisão provisória, até que a Justiça tome uma decisão final sobre o caso.

Enquanto o caso estiver “fresco” na memória da população, a Justiça será cobrada a condená-lo. Mas o problema está justamente aí. A lentidão do sistema judicial brasileiro leva esses crimes abomináveis ao esquecimento. O próprio coronel reformado da PM, que em 1993 já havia sido detido por maus tratos contra um bebê de quatro meses, acabou absolvido, livre para continuar o que a polícia suspeita ser uma sequência monstruosa de abusos sexuais.

Pesquisa realizada por um professor da PUC/RS, divulgada no último domingo (11) pelo Fantástico, da TV Globo, mostra que as punições para os crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes são mínimas no Brasil. De 24.575 ocorrências em 2014, apenas 2.316 acusados foram presos. A pesquisa também mostra a tendência dos criminosos transformarem as vítimas em culpadas, numa versão muita vezes “comprada” pelo juiz que absolve o estuprador.

Cabe à imprensa brasileira insistir na divulgação dos abusos, torná-la cada vez maior, mostrando a face dos monstros criminosos de forma recorrente. E a sociedade precisa fazer sua parte ao denunciar incessantemente. Mesmo que seja um amigo, um vizinho, alguém da família. O Brasil não pode se manter na primeira colocação de crimes sexuais contra esses inocentes. O que toda criança precisa é de amor, afeto e proteção.

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