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“Cabral, Garotinho e o fim da cultura da corrupção no país”, por Gabriela Guerreiro

24 de novembro de 2016

A prisão de dois ex-governadores do Rio de Janeiro nos últimos dias reacendeu na população brasileira o sentimento do fim da impunidade que, por tantos anos, marcou a elite política do país. Desde que a Operação Lava Jato teve início, foram inúmeros os políticos que acabaram presos ou se tornaram réus por atos de corrupção cometidos ao longo de seus mandatos.

A cena dos ex-governadores Anthony Garotinho e Sérgio Cabral sendo levados ao presídio de Bangu, no Rio, não seria imaginada por nenhum brasileiro em nosso passado recente. As decisões judiciais que determinaram as prisões mostram que o país está evoluindo, sim, no cumprimento de suas leis – que devem valer para todos, indistintamente.

Mas a pergunta que continua a rondar a sociedade é se essa mudança de postura, com penas mais rígidas impostas para os ilícitos praticados por parlamentares, governadores e até ex-presidentes, é o começo de uma nova era anticorrupção no Brasil.

E a resposta é muito simples: não.

Engana-se quem pensa que corrupção é apenas aquele ato de desvio de verbas públicas por alguém que ocupa um cargo de comando. A corrupção, na sua essência linguística, pode ser definida como o ato de “favorecer alguém prejudicando os outros”. Ou seja: tirar alguma vantagem para o seu benefício próprio, o que implica no prejuízo direto de quem for atingido pelo seu ato.

Pratica corrupção quem fura a fila do banco ou do cinema, quem para o carro em vaga de deficiente físico ou idoso porque está sem “tempo” para encontrar um local de estacionamento, quem desrespeita os carros que esperam para fazer um retorno, cortando por fora… Eu poderia passar algumas horas, aqui, enumerando os milhares atos de corrupção/desvios cometidos diariamente por aí.

Portanto, prender políticos corruptos é apenas o primeiro passo, mas está longe de representar o fim da cultura da corrupção no Brasil. Isso vai trazer consequências diretas desestimulando outras autoridades a perpetuarem essa prática nefasta. E fazendo a sociedade permanecer vigilante.

É uma pequena gota em um oceano de fraudes cometidas por quase todos nós. Diariamente. Do estacionamento da escola onde estudam os nossos filhos ao supermercado. Do parque da cidade ao restaurante com estrelas Michelin. É o começo, mas apenas o simples começo.

O “jeitinho brasileiro”, uma de nossas principais heranças coloniais, não tem perspectiva para ser erradicado definitivamente. É como um câncer em constante estado de metástase.

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