AV Comunicação | “Campeões” do primeiro turno, votos “inválidos” mostram descrença coletiva na política brasileira, por Gabriela Guerreiro
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“Campeões” do primeiro turno, votos “inválidos” mostram descrença coletiva na política brasileira, por Gabriela Guerreiro

6 de outubro de 2016

Os resultados das eleições municipais escancararam vários “recados” dos eleitores à classe política, como a rejeição da maioria dos brasileiros a candidatos do PT após os escândalos de corrupção envolvendo nomes históricos da sigla, investigados pela Operação Lava Jato. Em quatro anos, o partido perdeu mais da metade dos seus eleitores em todo o país.

Mas o número assustador de “não-votos”, nos mais diversos estados, revela muito do quadro atual da política brasileira.

Como bem relata reportagem publicada pela BBC Brasil, os grandes “campeões” do primeiro turno foram os votos brancos, nulos e as abstenções dos eleitores – que superaram o primeiro ou o segundo colocado na disputa para prefeito em 22 capitais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, os votos “inválidos” foram maiores que a votação recebida pelos primeiros colocados nas urnas, cenário que se repetiu em dez capitais brasileiras. A capital fluminense bateu o recorde nacional de abstenções, somando 24,28% dos eleitores que se recusaram a escolher seus representantes no último domingo – o que significa que um em cada quatro eleitores não votou no primeiro turno.

De imediato, a interpretação mais óbvia é a de que muitos eleitores não se enxergam nos candidatos. Não conseguem escolher, entre tantas opções, aqueles que representam suas ideias, convicções ou posições políticas. Mas a análise deve ir além.

Ao optar por não votar, ou votar nulo/em branco, o eleitor sinaliza claramente que não acredita no sistema político do país. Que os candidatos, de qualquer partido, não têm capacidade de encerrar práticas antigas que se perpetuam sem perspectiva de mudança. Todos são suspeitos de corrupção, má gestão, falta de comprometimento com os eleitores e com as cidades, até que se prove o contrário.

A cada eleição, ganha força a tese do voto facultativo, que levaria às urnas somente aqueles eleitores realmente interessados em escolher seus representantes, evitando votos de “cabresto” ou escolhas por “falta de opção”. Mas antes de se falar na possibilidade de liberar os brasileiros do voto obrigatório, é necessário pressionar o Congresso Nacional pela esperada reforma política, que parece lenda urbana ao não conseguir avançar sucessivamente nos últimos anos.

Se a ampla reforma do sistema político nacional não é possível, que os legisladores aprovem gradualmente mudanças em temas que, mesmo gota a gota, possam modificar a conduta dos nossos legisladores.

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