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“Com ícones não se mexe”, por Olavo Soares

17 de agosto de 2016

Imagine que você é o líder de um partido que se opõe à legenda da qual fazia parte o maior ícone da história de um país. O que fazer nesse caso? Atacar o ídolo histórico? Ou dizer que seus sucessores não estão respeitando o legado, e que você poderia fazer melhor em nome do herói nacional?

O Democratic Alliance (DA), segundo partido mais importante da África do Sul, escolheu o segundo caminho. As propagandas da sigla trazem slogans como “Honre o sonho de Madiba (Nelson Mandela)” e seu principal líder fala em “celebrar o pai fundador da nação”. E isso mesmo com Mandela tendo sido integrante do African National Congress (ANC), partido que até hoje governa o país, na pessoa do mais do que controverso Jacob Zuma.

O ANC mantém um impressionante domínio na África do Sul – que se confirmou nas eleições municipais realizadas no início do mês – mas essa hegemonia já foi muito mais sólida. Em 2016, por exemplo, o partido obteve 54% dos votos; em pleitos anteriores, as margens superavam com folga os 60%.

Privilegiar Mandela é essencial para que o DA continue sua trajetória de crescimento. Principalmente porque o partido quer derrubar alguns mitos que pairam sobre si: entre eles, o de que é a legenda “dos brancos”, rótulo mais do que desagradável em um país que vivia um regime de segregação até pouco mais de duas décadas. Não à toa, hoje a principal cara do DA é de um negro, Mmusi Maimane, que se põe como pré-candidato para as próximas eleições presidenciais.

As propagandas do DA costumam trazer negros na posição de protagonistas e atacam o ANC pela corrupção que tem caracterizado a África do Sul, além de dizer que o partido hegemônico quer “dividir o povo”. O ANC, por sua vez, diz que o DA nunca se apresentou nos momentos históricos do país e que, portanto, não tem condição de chefiar o governo.

Maimane tem ainda uma longa trajetória para realizar seu sonho de comandar a África do Sul. No entanto, uma certeza podemos ter sobre ele: para chegar lá, ele terá que elogiar um ícone histórico de seu maior adversário.

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