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“Dia da Mulher: uma data para ser lembrada todos os dias”, por Gabriela Guerreiro

8 de março de 2017

Celebramos hoje mais um Dia Internacional da Mulher, data em que o mundo lembra a luta histórica feminina pela conquista de direitos, espaço e igualdade… É claro que avançamos muito desde 1921, quando oficialmente passamos a ter um dia específico para debater o quanto as mulheres ainda precisam batalhar todos os dias em busca de seus direitos. Mas o caminho ainda é longo e muito árduo.

Prova disso é a pesquisa Datafolha divulgada hoje, 8 de março, Dia da Mulher, mostrando que uma a cada três brasileiras com 16 anos ou mais foi espancada, xingada, ameaçada, agarrada, perseguida, esfaqueada, empurrada ou chutada nos últimos 12 meses. É isso mesmo. Em nosso Brasil do século XXI, a violência contra a mulher é cotidiana, silenciosa e, o pior, em muitos casos não denunciada.

A pesquisa do Datafolha entrevistou mulheres de todo o país e revelou um dado alarmante: 29% delas afirmaram ter sofrido violência física, verbal ou psicológica no ano anterior. Os números revelam o que, na prática, todos já sabiam: as mulheres continuam, sim, sendo vítimas de diversos tipos de violência em seu dia a dia.

Parece fácil para quem vive um relacionamento estável, com um homem não machista, e recebe um salário digno de sua capacidade profissional, falar em “direitos femininos” ou apontar o dedo para aquela mulher que sofre em silêncio a violência física – e psicológica – de cada dia.

Mas as mulheres “silenciosas” são vítimas de uma engrenagem de violência muito maior. O que ganham se pedirem o divórcio ou deixarem seus companheiros? Que garantia elas têm que não serão mortas pelos ex-parceiros como vingança? Ou que não perderão a guarda dos seus filhos? Ou mesmo que terão condições de morar e sustentar sozinhas os frutos daquele relacionamento cercado de violência?

Essas mulheres “silenciosas” preferem viver a dor caladas a mudar de vida porque, em nosso país, a violência contra a mulher ainda é tratada como algo menor. Quantas brasileiras já perderam as vidas mesmo tendo alertado autoridades policiais de que eram vítimas de ameaças? Quantas outras tiveram que abandonar os filhos à própria sorte, ou repassar a criação para parentes, porque não conseguiram aguentar o rojão de sustenta-los sozinhas?

As comemorações e lembranças para o Dia da Mulher são válidas e necessárias. Mas falta ao país políticas públicas que efetivamente garantam os direitos às mulheres. Com um Congresso dominado por homens – muitos machistas em sua essência – essas questões jamais serão prioridade. Enquanto isso, sigamos celebrando o dia 8 de março. Pena que as “mulheres silenciosas” sejam esquecidas quase que totalmente nos demais 364 dias do ano.

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