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“Dois pesos e duas medidas para fatos equivalentes”, por Adriana Vasconcelos

20 de novembro de 2016

A agitada semana na qual assistimos a invasão do plenário da Câmara dos Deputados em Brasília, o cerco à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e a prisão de dois ex-governadores merece uma reflexão não só da imprensa, como de toda a sociedade brasileira.

Por mais distintos que os fatos mencionados pareçam, não dá para dissociar nenhum deles do difícil contexto pelo qual o Brasil passa, sob pena de tratarmos com dois pesos e duas medidas episódios que se equivalem.

Aqueles que criticaram _ e de maneira correta, na minha humilde opinião _ o grupo de manifestantes que forçou a entrada no plenário da Câmara dos Deputados para defender o fechamento do Congresso Nacional e a volta dos militares ao poder, deveriam ter a mesma postura em relação aos servidores que tentaram invadir a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em protesto contra o pacote de medidas para conter a crise econômica do estado.

Não, eu não sou contra manifestações populares. Mas em um regime democrático, os protestos também devem respeitar a legislação em vigor.

Na medida em que alguém se sente no direito de depredar patrimônio público ou desafiar a ordem pública para defender seus pontos de vista, acaba abrindo um precedente grave. Como cobrar o respeito a suas posições se você não respeita a dos outros?

A conta da depredação de patrimônio público, embora muitos se esqueçam disso, acaba pesando no bolso de todos, inclusive daqueles que se sentem no direito de radicalizar em manifestações populares contra os governantes de plantão.

Da mesma forma, os governantes ou ex-governantes _ como Anthony Garotinho e Sérgio Cabral, que foram presos esta semana _ não podem esperar um tratamento diferenciado das forças policiais na hora de pagar por seus crimes.

Quem achou que houve exagero na transferência de Garotinho do Hospital Souza Aguiar para o Complexo Penitenciário de Bangu, na noite da última quinta, deveria se perguntar quantos prisioneiros já passaram por situações semelhantes, só que longe do holofote das câmeras de televisão e nós nunca nem ficamos sabendo.

O princípio básico de uma democracia é o de que a lei vale para todos, doa a quem doer.

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