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“Envelopes e carteiros em alta na comunicação política dos EUA”, por Olavo Soares

1 de agosto de 2016

Em um mundo cada vez mais avançado e tecnológico, com os smartphones nos conectando a tudo e a todos e as redes sociais mostrando onipresença, uma das principais apostas para as campanhas políticas nos EUA é… o correio. O envio de propagandas eleitorais pelos correios tem crescido na terra de democratas e republicanos, na contramão do que muitos poderiam apostar nos dias atuais.

Texto do consultor Eric Jaye publicado no site da revista Campaigns & Elections enumera três razões para o crescimento das propagandas via correio. A primeira é a limitada eficiência dos anúncios colocados na internet sob forma de cookies (propagandas distribuídas de acordo com o perfil de navegação do internauta). Segundo Jaye, a segmentação entregue pelos cookies não é muito precisa e, além disso, muitos usuários da rede simplesmente ignoram os anúncios que são oferecidos a eles. O segundo motivo é a diminuição do que Jaye chama de “eleitorado persuadível” – ou seja, aquela parcela da população que não é naturalmente inclinada a democratas ou republicanos. Como há cada vez menos cidadãos partidarizados, gastar dinheiro com propagandas pela TV, exibidas a todos sem distinção, é um recurso pouco efetivo. Esse é o quadro que leva à terceira razão: produzir um panfleto para distribuição pelo correio é algo relativamente barato, ainda mais com as ferramentas tecnológicas disponíveis para todos, que tornam a tarefa “tão simples como desenhar um convite de casamento”.

A empresa oficial dos correios dos EUA, a USPS, investe no ramo das campanhas para fazer com que ninguém pense que a distribuição de propagandas impressas ficou no passado. Em um material oficial, a companhia destaca números de sucesso e chama a atenção dos possíveis clientes para o fato de que os panfletos podem ser unidos com outras ferramentas atuais para fazer uma boa comunicação. Por exemplo, a realidade aumentada, uma febre entre os usuários de smartphones. Além disso, o know-how da USPS faz com que a empresa possa entregar aos seus clientes uma base de dados com uma segmentação muito precisa, desejável para quem precisa dar tiros certeiros

É interessante ver como, para usar uma palavra-clichê, a indústria dos correios se reinventou para permanecer atual e relevante para a comunicação política. A segmentação de público, um elemento tido como imprescindível para uma campanha de sucesso (eleitoral ou não), foi incorporada nesse universo tão aparentemente defasado como o dos envelopes e carteiros. Nada mais correto dentro de um objetivo geral de fazer comunicação com eficiência.

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