AV Comunicação | “Feminismo, a nova e curiosa estratégia eleitoral de Marine Le Pen”, por Olavo Soares
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“Feminismo, a nova e curiosa estratégia eleitoral de Marine Le Pen”, por Olavo Soares

23 de março de 2017
Marine Le Pen está conduzindo sua candidatura à presidência da França exatamente como se esperava, colocando o combate à imigração como a principal pauta. Porém, a herdeira de Jean-Marie Le Pen adicionou um componente, digamos, inusitado ao seu discurso: a defesa dos direitos das mulheres.
A constatação é do jornal The Guardian, que fez um texto sobre a busca de Le Pen para conquistar os votos femininos. A matéria destaca que a Frente Nacional, partido de Le Pen, tem historicamente uma grande diferença de votos entre homens e mulheres – o discurso conservador, especialmente nas questões do aborto e do papel na sociedade, tendem a desestimular a adesão feminina à legenda.
Mas Marine é candidata e quer – ou melhor, precisa – mudar esse quadro. E faz isso de forma coerente com o seu discurso. Casa a defesa das mulheres com os riscos que a ‘islamização’ traz à França. Recorda dos véus, das práticas prejudiciais às mulheres que caracterizam determinadas correntes do Islã e aponta que a França cresceu caracterizada pelo respeito às liberdades individuais. Puxa, claro, também pelo fator óbvio: o fato de ser uma mulher. E recorda sua história de vida, lembrando que é divorciada, mãe de três filhos e com uma sólida carreira profissional e política.
Sempre que um candidato acena a um grupo diferente do seu, alguns questionamentos se levantam de imediato: o público-alvo “novo” vai gostar da aproximação? E o antigo, vai se sentir traído? Ou será que ambos, cada um por suas razões, vão rejeitar uma candidatura que cometeu um desvio – ainda que leve – de rota?
É difícil precisar como isso vai ocorrer no caso de Marine Le Pen. Até porque, tal qual sua campanha (com exceção desse novo aspecto) é previsível, seu desempenho eleitoral também deve ser. A maior das probabilidades é que ela vá ao segundo turno e nele seja derrotada, atropelada pela rejeição e pela união de todas as outras forças políticas. De todo modo, fica a curiosidade de ver como o novo discurso será recebido.

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