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“Fim da “cultura do estupro”: não é a roupa que dita quem deve sofrer abusos sexuais, por Gabriela Guerreiro”

22 de setembro de 2016

A “cultura do estupro” é uma realidade na sociedade brasileira. Apesar de a legislação instituir pena de até 10 anos de reclusão para crimes sexuais, com agravantes para casos envolvendo menores, pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Instituto Datafolha mostra que os reiterados estupros em todo o país refletem o quanto grande parte da sociedade ainda é conivente com esse crime, mesmo que indiretamente.

Os números apontam que um em cada três brasileiros considera que a mulher não pode “reclamar” do estupro se estiver usando roupas provocativas: ou seja, que a vítima é a CULPADA pelo ataque sexual. 30% das mulheres ouvidas na pesquisa concordam com essa afirmação, o que comprova o quanto estamos distantes de uma mudança em nossa realidade de abusos.

Aqui cabe a ressalva, feita pela Polícia Militar, de que a maioria dos estupradores escolhe suas vítimas não pelas roupas que estavam usando, mas pelo simples fato de serem mulheres. Ou seja: pouco importa como uma mulher se veste. Se o homem tem o desejo de estuprá-la, ele vai cometer o crime em qualquer circunstância – esteja ela de mini-saia ou totalmente coberta.

Nada justifica a violência sexual contra quem quer que seja: mulher, criança, adolescente. Não existem “mulheres que se dão o respeito”, por isso não devem ser estupradas. Não é a roupa que dita quem deve sofrer abusos. Não é o comportamento de uma mulher que diz se ela é, ou não, de “família”. Não existe razão para endossar o ataque sexual a ninguém.

Mas como mudar essa situação, se 30% das próprias mulheres concordam que elas também são responsáveis pelos estupros? Endurecer a lei seria uma solução?

Especialistas em educação são unânimes em concordar que o Brasil só vai combater a “cultura do estupro” quando modificar o modelo machista em que as crianças brasileiras são educadas. Pais ainda comemoram situações como a iniciação sexual precoce dos meninos. Ou quando fazem distinções de comportamentos entre o filho homem e a filha mulher.

Mães e pais: vocês têm responsabilidade sobre a “cultura do estupro”. Os meninos têm que saber, desde cedo, que as suas coleguinhas têm direitos e deveres semelhantes a eles. Não importa a roupa que estejam vestindo, não importa se estão dançando de forma mais ousada, não importa se são mais diretas no contato com o sexo masculino. Apenas parem de fingir que a responsabilidade do estupro é do Estado, da falta de segurança ou de desvios sexuais do criminoso. A culpa é de todos nós.

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