AV Comunicação | “Fim do financiamento privado nas campanhas: modelo que veio para ficar?”, por Gabriela Guerreiro
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“Fim do financiamento privado nas campanhas: modelo que veio para ficar?”, por Gabriela Guerreiro

4 de agosto de 2016

Pela primeira vez na história recente, o Brasil vai acompanhar eleições “franciscanas”, sem o tradicional financiamento empresarial das candidaturas. Em mais de cinco mil municípios, políticos que vão disputar as Prefeituras e Câmaras Municipais terão o desafio de fazer campanhas sem financiamento privado: serão bancados apenas por pessoas físicas ou recursos do chamado “fundo partidário”.

A mudança atinge em cheio a forma tradicional das campanhas eleitorais. Sem dinheiro privado, os candidatos não podem financiar grande parte de suas atividades em busca do apoio dos eleitores. Os partidos têm adotado estratégias para baratear os custos, como disponibilizar online material para os candidatos da sigla para impressão por conta própria.

Na outra ponta, os candidatos passaram a utilizar ferramentas de baixo custo para a sua autopromoção, como redes sociais e páginas pessoais na internet. As milionárias peças publicitárias veiculadas no rádio e TV, no horário eleitoral, perderam espaço para transmissões online via internet ou conversas com os eleitores nas redes sociais.

A mudança talvez seja um dos principais legados da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que além de identificar os desvios milionários na Petrobras, descobriu um forte esquema de desvio de verbas nas campanhas. Milhões de Reais foram empregados legalmente por empreiteiras e empresas beneficiadas, posteriormente, com contratos firmados com o governo. Isso sem contar o dinheiro de caixa dois.

O modelo será definitivo? Haverá mudanças para o cenário das eleições presidenciais em 2018? Só depois dos resultados da campanha deste ano será possível avaliar a efetividade da troca. Não há, porém, expectativa de recuo diante da cobrança da sociedade por menos gastos dos partidos e candidatos. No lugar de campanhas milionárias, propostas reais, de execução possível, próximas dos cidadãos. Isso é o que a maioria dos brasileiros espera daqui pra frente.

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