AV Comunicação | “Holograma francês: precisa?”, por Olavo Soares
Anterior
Fechar
Próximo

“Holograma francês: precisa?”, por Olavo Soares

27 de abril de 2017

Um aspecto peculiar deu um tempero adicional às eleições presidenciais da França (como se a disputa já não estivesse agitada o suficiente…): o holograma utilizado pelo candidato da extrema-esquerda Jean-Luc Melénchon. Com a técnica, Melénchon – que teve pouco menos de 20% dos votos no primeiro turno – conseguiu “estar em mais de uma cidade ao mesmo tempo”, como a imprensa francesa e internacional gostaram de enfatizar.

Em um dos atos de sua campanha, Melénchon “esteve” simultaneamente em sete cidades; uma pessoalmente, as demais com o holograma. Não foi a primeira vez que um político de ponta fez uso dos hologramas – o líder turco Recep Tayyip Erdogan e o indiano Narendra Modi já adotaram a tática -, mas é a mais celebrada até o momento.

O barulho que a iniciativa trouxe foi justificado. A projeção era bem feita e trazer inovações às eleições sempre é algo interessante. Ainda mais em uma eleição cabeça-a-cabeça como a francesa. Mas, pirotecnias à parte, podemos questionar até que ponto a tática é válida.

Estamos em 2017. As tecnologias nos cercam e nos fascinam a cada dia. Será mesmo que um holograma é razão suficiente para surpreender o eleitorado, para motivar um militante a sair de casa? Ou melhor: qual o grande ganho do holograma que um telão em alta resolução não pode trazer?

Compreende-se que Melénchon e seus estrategistas queiram superar as distâncias de um país como a França. Mas um holograma não é o suficiente para derrubar os quilômetros empilhados. Quando um candidato vai a uma região distante, concede entrevistas à imprensa local, se aproxima de outros apoiadores, mobiliza militância; em suma gera burburinho fundamental a uma disputa eleitoral. Que o holograma – ou seja lá o que tenhamos nos próximos anos – jamais substitua a sola de sapato (ou as milhas aéreas).

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

Aguarde...