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“Impeachment: processo político com desfecho esperado”, por Gabriela Guerreiro

25 de agosto de 2016

O Senado Federal será, a partir desta quinta-feira (25), o centro das atenções políticas do país ao decidir se Dilma Rousseff deve se afastar da Presidência da República de forma definitiva. Apesar de o processo de impeachment ter o seu desfecho previsto somente para a semana que vem, a sensação coletiva é que os senadores vão apenas “cumprir tabela” ao tomar uma decisão sacramentada há mais de dois meses.

O rito de afastamento de um presidente da República prevê o julgamento em duas “etapas”, se assim podemos dizer. A primeira, política, diz respeito ao afastamento temporário do comandante do país – aprovado por ampla maioria tanto na Câmara quanto no Senado em abril e maio deste ano. O segundo momento, que vivemos agora, é a fase técnica, com a análise detalhada de cada acusação que pesa contra a mandatária do país.

Na prática, porém, o que esperamos é a repetição quase idêntica de votos dos 81 senadores. Aqueles favoráveis ao impeachment, tomaram essa posição há mais de dois meses. Os que apoiam Dilma Rousseff permanecem aguerridos na tese do “golpe”, contrários ao seu afastamento do Palácio do Planalto. Até o grupo dos que se declaram “indecisos” estão com os seus votos definidos silenciosamente, sem nenhuma mudança declarada de opinião ao longo da análise técnica do processo.

Tudo isso comprova que o impeachment de um presidente da República é um processo político, apesar de muitos insistirem que a decisão do Legislativo é tomada de forma técnica. Quem conhece a fundo o Congresso Nacional brasileiro sabe que os deputados e senadores agem com política. Não temos 594 congressistas técnicos. Temos homens e mulheres que chegaram até lá justamente por saberem fazer política – e isso se reflete nas decisões que são tomadas diariamente na Câmara e Senado.

O “muro” erguido na Esplanada dos Ministérios para separar o grupo pró e contra impeachment é só mais um elemento figurativo em um julgamento que já tem resultado definido. Vamos esperar apenas o placar final que vai decidir por quantos votos Dilma Rousseff será afastada de vez da Presidência da República. O jogo tem que continuar, diz a Constituição, mesmo com o resultado sacramentado antecipadamente. É torcer para que acabe logo. O Brasil precisa virar essa página.

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