AV Comunicação | “Infelizmente a guerra entre “coxinhas” e “mortadelas” atingiu o jornalismo brasileiro”, por Adriana Vasconcelos
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“Infelizmente a guerra entre “coxinhas” e “mortadelas” atingiu o jornalismo brasileiro”, por Adriana Vasconcelos

16 de setembro de 2016

Como diria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nunca antes na história deste país se viveu um clima tão pesado entre colegas jornalistas. Em grande parte, fruto de uma divisão e radicalismo também existente na sociedade brasileira, estimulada em grande parte por Lula e o PT.

A guerra entre “coxinhas” e “mortadelas”, infelizmente, chegou ao jornalismo, deixando a maioria da categoria assustada.

Por mais que a isenção seja uma exigência da profissão, por trás de cada jornalista há um indivíduo com direito a opinião pessoal, preferências e posições.

O problema é quando essas posições e preferências se sobrepõem à notícia, matéria prima dos jornalistas.

Claro que alguns vão me lembrar que essas posições e preferências frequentemente são manifestadas de forma direta ou disfarçada pelos veículos de Comunicação. E não é de hoje.

Aliás, no passado era comum a esses veículos escolher abordar ou não determinados assuntos. Mas com advento da internet, a multiplicação dos veículos e o aumento da concorrência, ficou mais difícil esconder ou tentar manipular o noticiário. Até porque seus concorrentes poderão noticiar o que gostaria de esconder, ameaçando sua credibilidade.

Agora ver colegas – que durante anos conviveram respeitosamente, apesar de uma ou outra divergência – partirem para uma troca pública de ofensas e xingamentos, só pode chocar e colocar em alerta toda categoria.

Quanto Fernando Collor de Mello foi eleito presidente da República, ciente de que a maioria dos jornalistas havia votado em Lula, ele fazia questão de virar a cara para os repórteres credenciados que o aguardavam diariamente no Palácio do Planalto e o viam descer do helicóptero que usava para se deslocar de sua residência até o trabalho.

O tempo passou e não demorou muito para que Collor, em meio as denúncias divulgadas por seu irmão Pedro Collor de Mello, revisse sua relação com a imprensa e inaugurasse uma fase “soft” de seu governo.

Veio o presidente Itamar Franco e depois Fernando Henrique Cardoso. Períodos em que os colegas jornalistas continuaram a divergir, uns simpáticos ao governo, outros à oposição, comandada pelo PT.

Mas em nenhum desses momentos se viu confrontos abertos entre profissionais da imprensa, até o PT chegar ao poder.

Durante os 13 anos de governo petista, assistimos à transformação de parte desses profissionais. Muitos perderam completamente a cerimônia e passaram atacar o que se convencionou chamar de “mídia golpista”, pelo simples fato de veículos e jornalistas veicularem notícias desfavoráveis ao governo Lula.

Não demorou muito para que o ambiente entre colegas se deteriorasse a um ponto nunca antes visto, como se fosse possível dividir a categoria entre “coxinhas” e “mortadelas”, classificações usadas para classificar os contrários e os favoráveis ao governo do PT.

Se tem uma coisa que aprendi nestes quase 30 anos de jornalismo é que a roda do poder nunca para de girar, embora a maioria do que chegam ao comando do país, inebriados, pense que aquilo pode durar para sempre.

A hora é de refletirmos se vale a pena levar adiante essa guerra que, certamente, interessa a alguns grupos políticos, mas não levará nossa categoria a lugar nenhum. Pior poderá nos levar a perder aquilo que devíamos mais prezar nesta profissão: a credibilidade.

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