AV Comunicação | “Intolerância e atentados à liberdade de informação”, por Gabriela Guerreiro
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“Intolerância e atentados à liberdade de informação”, por Gabriela Guerreiro

8 de setembro de 2016

A violência contra jornalistas no exercício do seu trabalho não é novidade, especialmente em cenários de guerra. Muitos perderam as vidas em campos de batalhas, cidades invadidas por tropas inimigas ou bombardeios militares. Mas a violência deliberada contra os responsáveis por levar a informação para a sociedade não tem justificativa, como vem ocorrendo no Brasil nos últimos meses.

Em São Paulo, temos acompanhado a série de protestos contra a posse do presidente Michel Temer, muitos deles que resultaram em ataques da Polícia Militar a jornalistas no exercício da profissão. Pelo menos três foram alvo de bombas de efeito moral ou tiveram seus equipamentos retirados no último domingo (04), mesmo identificados com crachás de imprensa. Em alguns casos, os jornalistas foram atacados pela PM após o término das manifestações.

A mesma violência é registrada do “outro lado”. Em Brasília, após o Senado aprovar o impeachment de Dilma Rousseff, um grupo defensor da petista jogou pedras, terras e agrediu um repórter da TV Record, que estava no local para registrar a então presidente no dia em que teve seu mandato cassado. Foi a própria Dilma que, ao lado de aliados, convocou a imprensa para uma entrevista coletiva.

Outros vários jornalistas foram xingados e agredidos verbalmente pelo grupo no mesmo dia, que sempre usa a máxima da “mídia golpista” para atingir mesmo aqueles profissionais com total neutralidade nesse Fla x Flu que se tornou a política nacional. São inúmeros os profissionais que já foram vítimas de ataques semelhantes ao longo dos últimos meses.

Desde junho de 2013, 291 jornalistas foram agredidos em protestos políticos no Brasil. O número foi levantado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos).

Em tempos de intolerância política e sucessivas agressões gratuitas, não é possível tolerar ataques a quem defende a informação. E isso independe do local onde o jornalista atua – seja ele de um grande jornal, emissora de TV ou mesmo de um blog que defenda um dos “lados” do atual momento político. A liberdade de imprensa, e de informação, é um direito sagrado de nossa Constituição Federal – e deve ser preservada.

O que falta aos radicais envolvidos nos protestos é bom senso. Por que agredir alguém que está ali apenas cumprindo o seu dever de ofício? Por que tanta raiva, insensatez e ataques gratuitos? Será que o jornalista que ali representa um determinado veículo é parte envolvida de uma “orquestra” para derrubar quem quer que seja do poder? Ou um repórter ameaça a integridade física da população para ser atacado por um policial?

A intolerância está em todos os lados, sem previsão de terminar. Mas a defesa de um ideal não justifica ataques a quem quer que seja. Menos ódio e divisão. É isso que o país precisa.

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