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“Jornalismo em tempos de impeachment: atropelado pelos fatos e tecnologias”, por Gabriela Guerreiro

11 de Maio de 2016

Os fatos recentes da política nacional nunca se enquadraram tanto na nova forma de se fazer Jornalismo no Brasil. A rapidez com que uma notícia política se torna “velha”, minutos depois de ser divulgada, comprova que os leitores/ouvintes/espectadores não aceitam elei??o mais o antigo modelo ensinado nos bancos das principais faculdades de todo o mundo.

Se o produto “nobre” do passado era a mídia impressa, com os grandes jornais pautando o conteúdo wholesale nba jerseys do que deveria ser divulgado nacionalmente, hoje quem dita as regras do que deve ser notícia é a internet. E não apenas os sites vinculados aos conglomerados de mídia. Redes sociais, aplicativos de celulares e até mesmo sites “independentes” têm uma capacidade de transmissão de notícias não antes imaginada por aqueles que idealizaram a velha “comunicação social”.

O novo modelo Take democratiza a informação. Permite que qualquer pessoa use sua página pessoal para difundir um conteúdo – ou mesmo dissemine via whatsapp temas do seu interesse, simultaneamente, para um grupo de amigos. Mas, por outro lado, permite que informações falsas ou mau apuradas ganhem corpo e reforcem o “Fla x Flu” em que se transformou a política nacional em tempos de impeachment.

Quando comecei a fazer Jornalismo, há 20 anos, a internet dava seus primeiros passos. Os veículos já tinham seus sites, mas não os priorizavam. As rádios e emissoras de TV apenas se preocupavam com o seu produto principal – a imagem ou o som – negligenciando a internet.

Trabalhei como repórter de agências de notícias por mais de 15 anos. Inicialmente, em um modelo que privilegiava o conteúdo mais “denso”, e não a velocidade de divulgação da notícia. Pouco depois, me adaptei ao Sofia modelo do “quem publica primeiro”. Ganhava credibilidade o site jornalístico que conseguia postar a notícia em primeira mão.

Os grandes jornais logo se renderam a esse modelo. Todos os repórteres, e eu me incluo nesse cheap nba jerseys grupo, passaram a escrever para um jornal e, ao mesmo tempo, tinham que abastecer initerruptamente o site do veículo com sucessivos “flashes” de notícias ao longo do dia. Atingi a marca de escrever 20 matérias em um único dia.

Hoje, isso não é mais suficiente. O modelo foi novamente atropelado pela tecnologia. O leitor recebe o conteúdo em suas mãos, via celular, 24 horas por dia, sem nem precisar procurar wholesale nba jerseys por ele. Pouco importa quem postou o “furo” Customer inicialmente. Ele quer a informação completa, detalhada, com os seus desdobramentos. E não apenas a rapidez na sua divulgação – que muitas vezes é feita via redes sociais.

Vivemos o momento de transição em que, assim como na política, não temos respostas sobre o futuro do Jornalismo no Brasil e no mundo. Se o afastamento da presidente da República de seu cargo está definido e, minutos depois, uma “canetada” ou uma decisão judicial muda o cenário, o mesmo se aplica ao Jornalismo. Não basta publicar com rapidez. Não é mais suficiente usar um site com “credibilidade” para divulgar uma informação. Nem apenas publicar isoladamente um texto denso, rico em dados.

A solução seria reunir esse conjunto de exigências? Talvez. Mas essa resposta não é definitiva. O cidadão, individualmente, é hoje o verdadeiro detentor do poder de por produzir conteúdo – seja ele em vídeo, som ou texto. E isso não pode ser ignorado por aqueles que produzem notícia ou que trabalham do “outro lado” do balcão.

 

Gabriela Guerreiro

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