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“Jornalismo olímpico: distante da realidade dos brasileiros?”, por Gabriela Guerreiro

12 de agosto de 2016

Desde a última sexta-feira (5), o Brasil respira o clima das Olimpíadas. O cenário se repete a cada quatro anos, mas desta vez o tema predomina de forma exaustiva no noticiário nacional em razão de estarmos sediando o maior evento esportivo do mundo. São 24 horas de notícias olímpicas, seja nos sites, TVs ou emissoras de rádio. Quando não há transmissões ao vivo, as emissoras se encarregam de reprises das melhores disputas.

Na extensiva maratona olímpica, ganham destaque esportes que não são parte do cotidiano dos brasileiros. Polo aquático, boxe, saltos ornamentais… Modalidades que, no cotidiano, são distantes da realidade dos brasileiros e ignoradas pela grande maioria da população.

O fato é que, fora das Olimpíadas, a grande imprensa esportiva nacional dedica quase integralmente seu noticiário para o futebol. A “paixão nacional” tem espaço diário nas grandes emissoras, seja na transmissão de jogos, em mesas redondas ou nos calorosos debates entre especialistas esportivos. Mas por que a mídia brasileira não abre espaço para os esportes olímpicos? Por que eles só conseguem penetrar em nosso noticiário em tempos de Olimpíadas?

Adotar a teoria de que a imprensa reflete o “gosto” do brasileiro por futebol parece um pouco simplista. É claro que os interesses comerciais também ditam o que está presente na grade de uma emissora de rádio ou TV. E a audiência de uma partida de futebol de um grande time brasileiro vai render milhões de espectadores, ao contrário de uma disputa no rugby ou judô.

Os Jogos Olímpicos também têm o fascínio de reunir os melhores em cada modalidade. No dia a dia, as transmissões de competições esportivas com menor tradição no país não conseguiriam conquistar a audiência necessária para a sua sustentação na mídia. Ou sequer existem na prática.

Àqueles que curtem as mais diversas modalidades esportivas, só resta esperar de quatro em quatro anos para preencherem seu tempo em frente à TV, ou na leitura dos jornais, com a maratona esportiva olímpica que (felizmente) teremos até o final de agosto. O consolo é que essa realidade se replica no mundo inteiro. Não é um produto legitimamente brasileiro.

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