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“Ligações de Trump com a Rússia e o sigilo da fonte no Jornalismo”, por Gabriela Guerreiro

12 de Janeiro de 2017

O sigilo da fonte é uma das regras básicas e preliminares do Jornalismo, assegurada na Constituição pela legislação brasileira. Nenhum jornalista deve ser coagido, em nenhuma hipótese, a revelar quem lhe repassou determinada informação. É um direito inquestionável. E assim deve permanecer como garantia do bom jornalismo.

Essa garantia, porém, não dá à imprensa o direito de publicar informações inverídicas ou mal checadas tendo como “cortina de fumaça” o sigilo preservado em lei. Um jornal sério, rádio, site ou emissora de TV, garante sua credibilidade de acordo com a veracidade e exatidão daquilo que divulga. Do contrário, cai no descrédito e perde audiência.

O tema gerou polêmica nesta quarta-feira (11) após o site de notícias BuzzFeed divulgar, nos Estados Unidos, a íntegra de um documento com afirmações não confirmadas de que o presidente eleito Donald Trump possui ligações com o governo da Rússia. Os dados estão em um dossiê elaborado por um adversário de Trump, que já havia repassado o documento a diversos jornalistas e políticos no período pós-eleitoral.

Até hoje, ninguém havia publicado as informações por não ter conseguido checá-las. O editor do site disse que não foi “fácil” a decisão de divulgar o documento, mas que era obrigação do veículo tornar público o seu conteúdo após o presidente Barack Obama receber um resumo do dossiê.

Não cabe aqui questionar a decisão do BuzzFeed. O site deve ter suas razões jornalísticas, ou editoriais, para decidir pela publicação. Mas o episódio serve como alerta à imprensa brasileira: a checagem dos dados é essencial para a veiculação de qualquer informação – desde a divulgação de um simples horário de uma sessão de cinema a uma denúncia que possa derrubar o presidente da República.

Com as redações cada vez mais enxutas, poucos repórteres nas ruas, excesso de pautas e a necessidade de publicação imediata em tempo real, a checagem das informações se tornou cada vez mais precária. Em muitos casos, os repórteres querem confirmar um dado em cinco minutos – fixando prazos irreais para qualquer assessor tentar levantar o mínimo de informações necessárias à matéria. Alguns pedem o “outro lado” a cinco minutos do fechamento.

A pressa no jornalismo, embora necessária, não pode se sobrepor à exatidão da informação. O que está em jogo é a credibilidade de cada veículo. E a sobrevivência do bom jornalismo.

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