AV Comunicação | “Manifestações x Vandalismo: as duas faces dos protestos contra a PEC do Teto”, por Gabriela Guerreiro
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“Manifestações x Vandalismo: as duas faces dos protestos contra a PEC do Teto”, por Gabriela Guerreiro

15 de dezembro de 2016

Manifestações são legítimas e necessárias em um regime democrático. Sem elas, o Brasil não teria enfrentado tantas práticas arbitrárias que marcaram a nossa história. Nem a população teria conseguido suspender medidas prejudiciais aos trabalhadores, mulheres, crianças. A união dos cidadãos em busca de seus direitos deve ser exaltada sempre, mesmo que incomode autoridades, Congresso e forças policiais.

Mas o que vimos esta semana em parte das manifestações contra a PEC do teto dos gastos públicos, em Brasília e São Paulo, envergonha qualquer cidadão. Sob o pretexto de protestar contra a aprovação da PEC, pelo Senado, vândalos usaram de um instrumento democrático para a desordem pública.

Não foram apenas os vidros da Fiesp – símbolo do capitalismo e do “golpe” contra o governo Dilma Rousseff – que foram duramente atingidos. Os vândalos queimaram ônibus, atiraram pedras contra a população que saía do trabalho após cumprir uma longa jornada, destruíram e saquearam lojas. Em Brasília, uma concessionária de veículos teve 26 automóveis novos danificados pelos bandidos travestidos de manifestantes. Quem vai assumir o prejuízo? O governo local mergulhado em dívidas? Os vândalos? É claro que não.

A desculpa de que a população está insatisfeita com as medidas do atual governo, ou do Congresso, não justifica esse vandalismo. Se formos por esse caminho, cada brasileiro que se sentir violado em algum dos seus direitos estará livre para quebrar, destruir ou invadir patrimônio alheio para “colocar para fora” a sua insatisfação. Não é assim que a coisa funciona.

A resposta do poder público tem que ser rigorosa. Quem cometeu crime, deve pagar por ele. E não entro aqui na discussão sobre os excessos cometidos pela Polícia Militar para conter os manifestantes. A PM também não pode agir numa caça às bruxas, agredindo ou atacando quem aparecer na sua frente. Cabe à inteligência da polícia ser fortalecida para identificar e coibir, antes dos ataques, a atuação dos vândalos de plantão.

O que assusta é alguns defenderem esse tipo de vandalismo sob o pretexto de que são jovens “em busca dos seus direitos” e em defesa do “futuro do país”. O “Fla x Flu” da política nacional vem se repetindo também nesses atos de violência. Mas nada, sob nenhuma hipótese, justifica essa devastação promovida por baderneiros de plantão. Precisamos de um “basta” nesses atos de vandalismo. E evoluir em busca de nossos diretos pela via, de fato, democrática.

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