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“Marcha nesta semana quer transformar a África do Sul”, por Olavo Soares

6 de abril de 2017

Milhões de pessoas nas ruas, convocadas por lideranças políticas tidas como direitistas e conservadoras, mobilizadas para derrubar um governo repleto de denúncias de corrupção e que, em sua defesa, se intitula ‘socialista’ e ‘ligado aos excluídos’.

O roteiro parece familiar para nós brasileiros, mas o lugar em questão é a África do Sul. O impopular governo do presidente Jacob Zuma – do mesmo partido do mítico Nelson Mandela – irá passar por um grande desafio nessa sexta, quando a “March for Change” (“Marcha pela Mudança”) promete levar grande quantidades de insatisfeitos às ruas do país.

O pretexto adicional para a marcha, além da série de notícias ruins que rondam o governo de Zuma, foi a demissão do ministro Pravin Gordham, das Finanças. Gordham tinha fama de incorruptível, um currículo respeitado até por oposicionistas e sua queda foi lamentada também entre os partidários de Zuma. Para a oposição, tornou-se a gota d’água, um prato cheio para fazer barulho.

Quem lidera a marcha é o principal partido oposicionista, o DA (“Aliança Democrática”, em português), e seu maior líder, Mmusi Maiane. O partido quer capitalizar em cima da indignação popular. Seu site exibe uma mensagem mais do que direta sobre a marcha: “Unidos para demitir o presidente Zuma”. O DA também lidera as mobilizações na internet e, como é regra em quase todo o mundo à exceção do Brasil, pede doações para custear a mobilização.

Não é raro achar na internet manifestações de sul-africanos que contestam o DA e relacionam a marcha de sexta-feira ao triste passado do país. Para quem pensa desse modo, apoiar a marcha é caminhar ao lado de quem se beneficiou com o Apartheid. Por outro lado, o DA destaca (e dá protagonismo) aos negros indignados com a gestão Zuma.

Ainda não se pode prever com precisão o tamanho e os impactos da “March for Change”, mas pode ser que a África do Sul viva um ponto de inflexão em sua política ainda nessa semana.

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