AV Comunicação | “O caos no Espírito Santo expôs as incoerências da sociedade brasileira”, por Adriana Vasconcelos
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“O caos no Espírito Santo expôs as incoerências da sociedade brasileira”, por Adriana Vasconcelos

10 de fevereiro de 2017

As manifestações populares que culminaram no afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, no ano passado, mostraram ao país e ao mundo milhares de brasileiros indignados com a avalanche de denúncias de corrupção deflagradas pela Operação Lava Jato yqvmeej.

Os milhões desviados dos cofres públicos e estatais para os bolsos de políticos e empresários, muitos deles já presos ou investigados, realmente é de indignar qualquer um.

Mas não demorou muito para que essa ânsia por justiça perdesse força e mostrasse uma índole um tanto quanto flexível de parte desses indignados, que são duros e rápidos ao apontar o erro alheio, seja nas ruas ou redes sociais, mas permissivos em relação às suas próprias condutas.

Retrato triste dessa realidade foi assistida esta semana no Espírito Santo, que vive uma das piores crises de sua história em razão de uma greve criminosa de policiais militares, que em defesa de um aumento salarial abriram espaço para uma onda de violência no estado sem precedentes.

Em meio ao caos enfrentado pelos capixabas, é lamentável ver tantas pessoas comuns se unindo a bandidos para saquear lojas e supermercados, em vez de se unirem para ajudar a restabelecer a ordem, com ou sem a ajuda da PM.

Alguns caíram em si e, na última quinta-feira, decidiram devolver os produtos saqueados, como um trabalhador de Cachoeiro do Itapemerim, tentando justificar o injustificável. “Me deixei levar”, admitiu em entrevista ao site G1.

Pior é constatar que esse tipo de comportamento dúbio é recorrente no país que consagrou o famoso “jeitinho” brasileiro, traduzido pela conhecida ‘Lei de Gérson’, ex-meio campista da seleção brasileira que ficou célebre não só por ter sido uma das estrelas do tricampeonato mundial do México em 1970, mas também pela frase usada numa propaganda de cigarro, anos depois, sugerindo que no Brasil “o importante é levar vantagem em tudo”.

É esse tipo de pensamento que leva muitos daqueles que xingam políticos de corruptos, em restaurantes, voos comerciais e nas ruas, a furar filas, estacionar em vaga de deficiente ou fraudar carteiras de estudante para pagar meia entrada em espetáculos artísticos.

A realidade brasileira confirma o velho ditado popular que diz: cada povo tem o governo que merece. Até quando vamos ficar presos a essa sina?

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