AV Comunicação | “O outro lado do jornalismo”, por Adriana Vasconcelos
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“O outro lado do jornalismo”, por Adriana Vasconcelos

15 de agosto de 2016

Quando um jornalista troca o trabalho de repórter pelo de assessor, costuma-se dizer, no jargão jornalístico, que ele trocou o lado do balcão. Passa de consumidor a fornecedor de informação.

Nem sempre é uma tarefa fácil, embora a maioria ache que vai tirar de letra a nova função. Isso porque a cabeça de repórter nem sempre leva em conta as necessidades e interesses do assessorado.

O repórter quer notícia, seja ela boa ou ruim para o personagem. Já o assessor precisa levar em conta que nem toda notícia é favorável ao assessorado.

Agora uma regra que não muda no jornalismo é a de ouvir o outro lado, independentemente da notícia, seja ela boa ou ruim.

Mas parece que alguns jornalistas da nova geração não estão muito interessados em cumprir essa antiga máxima do jornalismo e, por vezes, agem de forma protocolar ao tentar ouvir o outro lado.

Mandar um e-mail, sem telefonar, não é ouvir o outro lado. Tampouco telefonar para uma assessoria e dar poucos minutos para que saia uma resposta pode ser encarado como ouvir o outro lado.

Outro dia recebi uma ligação de uma repórter às 21h para que um cliente se manifestasse sobre uma decisão judicial que havia acabado de sair. Treze minutos depois, recebi um whatsapp da jornalista informando que seu editor havia fixado um prazo até às 21h30 para aguardar uma resposta. Ou seja, me restavam 17 minutos para responder.

Pior é ler no dia seguinte, que a assessoria foi procurada e não se manifestou até o fechamento da edição, sem explicar que foi dado menos de meia hora para que esta assessoria se manifestasse.

Vale uma reflexão sobre os lados do jornalismo e o faz de conta de ouvir o outro lado.

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