AV Comunicação | “Olimpíadas Rio 2016: fim do complexo de vira-lata”, por Gabriela Guerreiro
Anterior
Fechar
Próximo

“Olimpíadas Rio 2016: fim do complexo de vira-lata”, por Gabriela Guerreiro

19 de agosto de 2016

Nem os críticos mais otimistas imaginariam que os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro dariam tão certo. Entramos na última semana de disputas com um saldo mais que positivo de organização, instalações, hospitalidade e – acredite – mobilidade urbana para quem se desloca até os locais das competições.

Depois de um começo de “improvisos”, com falta de comida nas arenas olímpicas e instalações dos atletas sem estarem concluídas, quem anda pelo Parque Olímpico do Rio de Janeiro se depara com uma estrutura de dar inveja a qualquer país do mundo. Não ficamos devendo em nada a outras sedes, como Barcelona, Londres ou Pequim.

Desde a chegada, são milhares de voluntários a postos para conferir os ingressos com máquinas digitais, sem filas, com muitos sorrisos no rosto. E com a célebre frase “posso ajudar?” sendo cumprida rigorosamente. Uma simples pausa para uma rápida olhada em um mapa é suficiente para que um voluntário venha imediatamente ao seu encontro para prestar auxílio.

O deslocamento aos locais de competições também é de enorme eficiência. Apesar de não haver linha de metrô próximo ao Parque Olímpico, os BRTs integrados com as demais estações passam ininterruptamente. Os ônibus estão o tempo todo à disposição, sem que os torcedores precisem se aglomerar nas estações à espera de transporte. Criadas exclusivamente para os jogos, as linhas de BRTs não refletem a dura realidade do Rio, mas o modelo deu certo para um evento tão grande quanto a Olimpíada.

Dentro do Parque Olímpico, as arenas são abertas com bastante antecedência para evitar aglomerações. As partidas começam pontualmente. Há filas para comprar comida, ou entrar nos diversos stands de patrocinadoras, mas nada que prejudique a fluidez necessária a um evento que reúne tanta gente.

Claro que há falhas, nenhum modelo é 100% perfeito, como o acesso ao “Engenhão”, onde ocorrem as provas de Atletismo, em que não há uma linha expressa para levar os torcedores diretamente ao estádio. Para o acesso ao local, é necessário fazer baldeação na concorrida estação de Madureira para quem vem da região do Parque Olímpico, com direito a um trecho do percurso em um dos trens urbanos do Rio, geralmente muito cheio.

Mas as pequenas falhas não comprometem nem de longe o saldo positivo dos Jogos Olímpicos do Rio. A “cidade maravilhosa” ocultou suas mazelas para bem receber o mundo. A triste realidade continua, é claro, estampada na maioria das ruas e favelas. Mas nós conseguimos realizar, SIM, uma das melhores Olimpíadas da história. Fim ao complexo de “vira-lata”. Foi histórico, foi lindo, e eu tive a sorte de ver tudo isso de perto.

O Brasil comprovou, de uma vez por todas, sua capacidade de receber com alegria, alto astral e competência. Bem no estilo brazuca de ser.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

Aguarde...