AV Comunicação | “Os ‘anúncios-petisco’ servem para a política?”, por Olavo Soares
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“Os ‘anúncios-petisco’ servem para a política?”, por Olavo Soares

24 de agosto de 2017

A revista americana Campaigns & Elections traz uma reportagem interessante sobre uma tendência do mercado publicitário que começa a aparecer na política americana: os snackable ads, ou, numa tradução livre, os “anúncios-petisco”.

O termo se refere àqueles vídeos minúsculos, com 4 a 6 segundos de duração, que aparecem no Youtube e em outros players. Diferentemente daqueles de 30 segundos (ou mais), para os quais aparece aquela opção do “Clique aqui para assistir o seu vídeo”, os “anúncios-petisco” são aqueles que não temos como escapar. Eles surgiram porque os publicitários perceberam que a maioria das pessoas não dava bola para a peça longa, então resolveram caprichar no material curtinho. Muita coisa boa surgiu a partir daí.

A matéria da Campaigns lembra que os “anúncios-petisco” já estão chegando à mídia convencional. Uma propaganda desse tipo foi exibida no badalado “Teen’s Choice Awards”, evento para adolescentes do canal Fox.

Todo esse sucesso abre caminho para o debate dos “anúncios-petisco” na política. Os profissionais ouvidos pela Campaigns dizem que a utilização de propagandas desse tipo no universo eleitoral é algo bem, bem complicado. Os argumentos são diversos: o público-alvo da propaganda eleitoral é bem distinto de um usuário de Youtube (e do telespectador do “Teen’s Choice Awards”, evidentemente); campanhas têm menos verba do que empresas, e, por isso, menos condições de bolar peças bacanas; há menos tempo para a experimentação e para a inovação.

Trazer essa discussão para o Brasil é algo que, como quase sempre em ocasiões semelhantes, esbarra na legislação eleitoral daqui. Não há como um político ou partido empreender esse tipo de anúncio agora, fora do período eleitoral – e certamente haverá restrições na hora da campanha propriamente dita. Barreiras jurídicas à parte, poderíamos pensar que a ojeriza dos brasileiros a tudo o que envolva partidos e candidatos já garantiria uma rejeição imensa a propagandas com esse perfil. Ou alguém aí gostaria de ver um “horário político”, ainda que de segundos, antes de seu vídeo no Youtube? De todo modo, eu acho que caberia, sim, a tentativa. O político e seus estrategistas precisam falar com todas as fragmentações da sociedade possíveis, e abrir mão de qualquer canal é um erro. Seria interessante.

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