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“Primeira-ministra britânica diz: vote em mim”, por Olavo Soares

1 de junho de 2017

Uma característica inequívoca dos políticos brasileiros – de todas as matizes ideológicas – é a de evitar o personalismo em seus discursos. Não há o “vote em mim”, “meu governo”, “minha campanha”; há sempre o “nós”, “nosso trabalho”, “a gente vai buscar”. A situação gera até algumas frases mais esquisitas, como coisas do tipo “nós fomos eleitos tendo Fulano como vice”. Mas reflete uma boa intenção. Afinal, a boa política é sempre uma obra coletiva.

Com base nisso, causa estranheza aos nossos olhos um comunicado enviado pelo Partido Conservador britânico, a poucos dias das eleições no país. O texto, que pede o engajamento de voluntários na disputa, é assinado pela primeira-ministra Theresa May. E, mais do que uma simples assinatura, a primeira pessoa do singular é o que dá o tom no comunicado:

“Eu preciso que cada apoiador dos Conservadores dê suporte ao meu plano que busca fazer com que o Brexit funcione”

“Cada voto em mim nesta eleição fortalecerá minha mão nessas negociações que irão começar”

“Ajude me a defender meu ponto de vista – e ajude-me a fazer do Brexit um sucesso”

É curioso ver essa aposta no individual em uma das democracias mais robustas do mundo, com partidos igualmente sólidos; geralmente, nota-se o foco individualista em regimes mais baseados no caudilhismo ou propensos a salvadores da pátria.

Essa condição cria uma boa reflexão sobre o peso da individualização de mensagens. Em tempos de tecnologia avançada e promessas de um marketing precisamente personalizado, soa uma alternativa interessante individualizar também o texto.

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