AV Comunicação | “Prisão de Eduardo Cunha e o “Fla x Flu” político: pelo fim da corrupção”, por Gabriela Guerreiro
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“Prisão de Eduardo Cunha e o “Fla x Flu” político: pelo fim da corrupção”, por Gabriela Guerreiro

20 de outubro de 2016

A prisão do deputado Eduardo Cunha pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (19), trouxe de volta ao “mundo virtual” o Fla x Flu político que tanto ocupou o país ao longo do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Se, de um lado, internautas comemoraram a queda do “ex-todo poderoso” do Congresso, outros usaram o argumento de que a prisão de Cunha é apenas uma tentativa da Polícia Federal demonstrar “imparcialidade” na Lava Jato.

O fato é que a prisão do peemedebista derruba a tese de que apenas o PT está na mira do juiz Sérgio Moro. O recado, para qualquer bom entendedor, é o de que ninguém está acima da lei. E comprova como, no mundo político, a velha máxima de que o “mundo é redondo” se aplica cotidianamente.

Ninguém poderia imaginar, no final do ano passado, que o caso Cunha teria esse desfecho. Quando surgiram as primeiras denúncias contra o então presidente da Câmara, a sensação era a de que Cunha era alguém “intocável”, protegido pelo seu foro privilegiado e pelo corporativismo da Casa Legislativa. O tempo passou, as denúncias se agravaram, Cunha ficou sem saída e acabou cassado, o que abriu caminho para a sua prestação de contas com a Justiça.

Nas discussões apaixonadas, muitos afirmam que a prisão demorou, que Moro não teve o mesmo afã para mandar prender o peemedebista como se dirigiu à cúpula do PT. Sem entrar no mérito do prazo para a execução da sentença, o juiz mandou Cunha para a cadeia. Mais uma decisão que sinaliza tantas mudanças no comportamento da Justiça no Brasil.

Se há 10 anos era impensável imaginar um ex-presidente da Câmara, ex-ministro ou senador na cadeia, essa é a nova realidade brasileira desde meados da Lava Jato. Justamente por esse motivo, a população deveria comemorar ações de combate à corrupção, sem adotar a postura de “aos outros, tudo, aos meus, nada”.

O que nos resta é torcer para que o Brasil consiga, de fato, punir exemplarmente aqueles homens que cometem desvios. Mas, principalmente, que os brasileiros entendam a necessidade de se acabar com essa prática impregnada em nossa história desde o que se entende por “civilização” no Brasil. Com menos disputa política, trocas de acusações e xingamentos. E maior reflexão sobre o combate à corrupção em todas as esferas e classes sociais.

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