AV Comunicação | “Problemas locais, convicções globais”, por Olavo Soares
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“Problemas locais, convicções globais”, por Olavo Soares

31 de janeiro de 2017

As primeiras medidas de Donald Trump no governo dos EUA estão gerando um burburinho infinito nas redes sociais e fora delas. E com toda essa mobilização, uma crítica tem aparecido com muita frequência: a de que alguns brasileiros estão se importando mais do que deveriam com as decisões tomadas em Washington.

As ironias vêm da direita e da esquerda. Alguns brincam com brasileiros que pedem a construção do muro, mesmo sem nunca terem colocado o pé nos EUA; outros, também lembrando da distância (não só física) que separa Brasil e Estados Unidos, tiram sarro de quem contesta Trump ainda que nenhuma medida do republicano traga efeitos práticos na vida de quem está criticando.

Cabe refletir, em primeiro lugar, até quanto essa crítica é válida e também se alguma reflexão sobre isso pode acrescentar no debate sobre a política nacional. Sobre a validade da crítica, é preciso lembrar sempre que os EUA são o país mais rico e mais influente do mundo. Portanto, tudo o que for feito por lá repercute e muito no restante do planeta. Não que uma lei aplicada de forma doméstica no país será transferida, na íntegra, para o nosso território; mas a mentalidade que a motivou pode, sim, ser expandida e estimular ações similares. E, além disso, há o componente comercial e econômico, cujos impactos são diretos e incontestáveis.

Já em relação à política nacional, o debate que proponho é sobre convicções e posicionamentos que são expressos nesses momentos. Nós sabemos que nenhum político daqui tem qualquer poder para construir ou derrubar um muro na fronteira entre EUA e México. No entanto, ao dizer o que pensa diante dessas polêmicas, o político mostra sua opinião sobre uma questão global e mostra como tende a agir quando situação semelhante se der em sua área de atuação.

Afinal, muito do que se discute nos EUA agora diz respeito a direitos humanos, segurança e interesses nacionais. Ou seja: simplesmente a base de todas as políticas públicas.

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