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“Quer ajudar a centro-direita francesa? Compre um carrinho”, por Olavo Soares

22 de novembro de 2016

Canecas, canetas e lápis personalizados, pulseiras no estilo ‘livestrong’ e um carrinho de plástico que imita um modelo da Fórmula 1. Esses itens estão disponíveis no site de François Fillon, pré-candidato à presidência da França. A lojinha está em destaque na página de Fillon ao lado de um banner que indica a maneira como um apoiador pode fazer doações mensais ou únicas à campanha do pré-candidato, no valor que achar mais conveniente.

O dinheiro arrecadado com as doações e vendas de souvenirs certamente deu sua contribuição para fazer com que Fillon seja, no atual momento, principal favorito para vencer as eleições presidenciais do ano que vem. Ele venceu o primeiro turno das prévias do seu partido com 44% dos votos, contra 27% do adversário mais próximo, Alain Juppé (o ex-presidente Nicolas Sarkozy, fez apenas 20% dos votos e sugeriu que vai se retirar da vida pública). O segundo turno acontece em semanas e já é visto como mera formalidade, até porque, além da expressiva dianteira na primeira metade da contenda, Fillon tem conquistado o apoio de eleitores de Sarkozy. Se confirmar a vitória em seu partido, Fillon largará como favorito para a disputa nacional porque enfrentará uma combalida esquerda do atual presidente François Hollande e a extrema-direita de Marine le Pen, cuja força eleitoral é uma incógnita.

Os sites dos adversários de Fillon na primária não contêm lojinhas, mas também apresentam campos para doações. A página de Juppé, inclusive, já expõe ao visitante que as doações serão em parte cortadas por impostos, e simula o quanto vai efetivamente pingar nas contas da campanha (a doação de 20 euros, por exemplo, corresponde efetivamente a 6,80 euros). Já no site de Sarkozy o eleitor é indicado a optar, se não quiser/puder doar dinheiro, por voluntariar na campanha. Os serviços disponíveis estão elencados: fazer ligações telefônicas, participar de campanhas porta-a-porta, ajudar em eventos, entre outros.

Vimos nas eleições municipais brasileiras deste ano que ainda não assimilamos direito a mudança que foi proibir as doações empresariais. As campanhas ficaram mais baratas, mas denúncias sobre doações ‘controversas’ e queixas sobre o benefício a candidatos ricos se avolumaram após as eleições. Entre tantos outros aspectos a serem aprendidos com exemplos do exterior, a transparência na hora de pedir doações é um dos mais chamativos.

A propósito: o carrinho de Fillon custa 28 euros.

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