AV Comunicação | “Roma 2024: a disputa interna ainda não chegou ao auge”, por Olavo Soares
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“Roma 2024: a disputa interna ainda não chegou ao auge”, por Olavo Soares

23 de agosto de 2016

Enquanto a tocha olímpica se apagava no Rio, em Roma se reacendia a chama da discussão sobre a candidatura da capital italiana para sediar os Jogos em 2024. A indicação de Roma já foi anunciada há tempos, e hoje a cidade é uma das quatro finalistas, ao lado de Budapeste, Paris e Los Angeles. A decisão sai em setembro do ano que vem. Porém, entre a indicação e o carimbo do Comitê Olímpico Internacional (COI), Roma elegeu como prefeita Virginia Raggi, que teve como uma de suas plataformas de campanha um “não” claro à ideia de a cidade ser a sede da Olimpíada.

Os argumentos de Raggi são aqueles que habitualmente ouvimos das pessoas que são contrárias aos megaeventos: a Olimpíada não é prioridade, Roma tem outras deficiências a serem sanadas (transporte e reorganização das contas públicas), os Jogos trarão mais gasto do que benefícios. São posições válidas, e que, como já dito, nós já vimos muito aqui no Brasil à época da definição do país para receber Copa e Olimpíada em sequência. Porém, o que se cabe questionar é o ‘timing’ de Raggi: seria esse o momento real para derrubar uma candidatura há muito tempo lançada, e apoiada por outros representantes do poder?

Foi firmada uma trégua entre Raggi, o seu partido (o Movimento 5 Stelle, que cresceu sob a ótica da contestação à “política tradicional”) e os outros políticos favoráveis à Roma-2024 enquanto as disputas estivessem em ação no Rio. Membros da alta cúpula italiana foram ao Brasil e se mostraram taxativos ao dizer que não falariam a respeito: “a única Olimpíada que conheço é a que está sendo realizada no Rio”, declararam. Apesar disso, a Casa Itália, instalação feita pelos italianos para divulgar o país durante a Olimpíada, promovia a candidatura de Roma. De modo similar ao que fizeram húngaros, franceses e americanos, todos mobilizados pelas suas cidades.

A discussão sobre benefícios de megaeventos é eterna, e vai para aquele grupo de debates em que raramente se chega a um consenso. Alguns exemplos são largamente citados: do lado positivo está Barcelona, que realizou a melhor Olimpíada da história e aproveitou a oportunidade de sediar os jogos como jamais feito antes ou depois; do outro, Montreal e o débito monstruoso deixado aos canadenses após a disputa de 1976. Não há fórmula e não há posição fechada; os casos precisam ser analisados individualmente. É isso que, esperamos, Virginia Raggi e as outras autoridades italianas façam agora que a disputa esportiva no Rio se encerrou.

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