AV Comunicação | “Tecnologia e segmentação: os caminhos para alcançar o público LGBT”, por Olavo Soares
Anterior
Fechar
Próximo

“Tecnologia e segmentação: os caminhos para alcançar o público LGBT”, por Olavo Soares

19 de junho de 2017

Um dia após a parada do Orgulho LGBT de São Paulo, e nove dias antes do Dia Internacional do Orgulho LGBT, a revista americana Campaigns & Elections, referência em comunicação política, traz um artigo que aborda como os políticos e profissionais da área devem buscar os votos desse segmento da população.

Aliás, uma observação: embora o texto traga a expressão “LGBT vote” (“voto LGBT”) no título, logo em suas linhas iniciais explica que é um erro tratar o público LGBT como unitário. Há diversas comunidades dentro do que convencionamos chamar de “comunidade LGBT” – e elas variam entre si não apenas pelas diferentes orientações sexuais envolvidas, mas também por questões financeiras, étnicas ou mesmo pela visão política de seus componentes.

São três os conselhos principais repassados pela autora do artigo, a consultora Leigh Ann Smith. O primeiro é chamar as pessoas pela forma exata com que elas querem ser chamadas – algo que é um tópico muito significativo à população LGBT. Para alcançar esse objetivo, a autora recomenda uma pesquisa que vá além dos nomes de batismo e também ações que sejam capaz de conversarem com um público não-binário, ou seja, que não se identifique necessariamente como homem ou mulher. Em resumo, não se fiar somente em bancos de dados prontos.

A segunda sugestão é a de trazer o público hetereossexual para a conversa. Segundo a autora, muitos héteros, ainda que sem relacionamento direto com pessoas LGBT, se simpatizam com a causa e poderiam votar a quem defenda a bandeira.

Por fim, a terceira sugestão é a de cunho mais tecnológico: explorar ao máximo os “momentos chave”. Esses momentos, explica Smith, têm cada vez ganhado mais relevância na publicidade online, política incluída. Tratam-se de instantes de duração curta, mas com intensidade longa e que são motivadores de tomada de decisão. Por exemplo, uma empolgação momentânea com músicas, discursos políticos ou qualquer outro conteúdo na web. A sugestão da consultora é, por meio de anúncios segmentados, converter esses momentos em uma oportunidade efetiva.

As sugestões de Smith não podem ser aplicadas diretamente ao público brasileiro sem adequações devidas pela ressalva que sempre cabe nesse caso – como por aqui o voto é obrigatório, o jogo político segue regras completamente diferentes. Mas a ideia de segmentação e de uso da tecnologia para alcançar o eleitorado com precisão é algo que sempre cabe. O diálogo ganha muito com isso.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

Aguarde...