AV Comunicação | “Teorias conspiratórias e agilidade”, por Olavo Soares
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“Teorias conspiratórias e agilidade”, por Olavo Soares

25 de janeiro de 2017

Teorias da conspiração já fazem parte do folclore brasileiro – não apenas na política, mas também em outros setores, como esporte e cultura – e se reavivaram após a morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prato era cheio para quem gosta de fantasias: como Teori era relator da Lava Jato e estava em um avião de pequeno porte, bastavam ligar alguns (imaginários) pontos para criar uma versão. A paixão do brasileiro por essas teorias foi brilhantemente ironizada por uma charge do ilustrador Montanaro, publicada na Folha de S. Paulo no dia 20 de janeiro.

Pesquisas reforçaram que o sentimento conspiratório não era algo marginal. Levantamento feito pelo Paraná Pesquisas identificou que impressionantes 83% dos brasileiros acreditavam que a queda do avião de Teori não foi um acidente. Nas redes sociais, a certeza sobre um “algo mais” na morte do ministro era quase unânime, partindo da esquerda e da direita.

As informações sobre a queda do avião que a Força Aérea Brasileira (FAB) começou a divulgar têm ajudado a minimizar um pouco as conspirações. Gravações da caixa-preta sugerem que o avião não apresentou anormalidades e que o mau tempo na região de Paraty deve ter sido o principal responsável pelo acidente. Se isso vai satisfazer os adeptos da teoria da conspiração? Não sabemos. Até porque muitos deles costumam apegar-se às suas ideias mesmo que todas as evidências digam o contrário.

De todo modo, a proliferação das teorias é um bom tema para reflexão de nós que estamos no front da comunicação. Nota publicada nesta terça (24) no Painel da Folha diz que o Palácio do Planalto “se incomodou com a falta de informações oficiais para o público sobre o acidente que vitimou Teori”. Segundo o texto, a demora alimentou as conspirações. A avaliação é difícil. Afinal, a agilidade pode vir acompanhada de afobação e, por consequência, de imprecisão. Seria isso o importante para o momento? Ou talvez a cautela, seguida de informações qualificadas, foi a melhor saída?

Tendo a ficar com a segunda opção. As estratégias de comunicação precisam ser pensadas e precisas. Agilidade no mundo virtual é fundamental, mas nada preserva mais a imagem institucional do que um diálogo bem elaborado. Além disso, como já dito, nada satisfaz aqueles que, deliberadamente, escolhem as teorias da conspiração para explicar o mundo.

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