AV Comunicação | “Um apito de cachorro influenciou na eleição da cidade mais importante do mundo”, por Olavo Soares
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“Um apito de cachorro influenciou na eleição da cidade mais importante do mundo”, por Olavo Soares

10 de maio de 2016

Londres elegeu, nessa semana, o trabalhista Sadiq Khan como seu novo prefeito. Ele liderou as pesquisas durante praticamente cheap jerseys toda a corrida eleitoral e derrotou com certa folga o conservador Zac Goldsmith. Assim, faz com que a legenda mais à esquerda volte a comandar a capital do wholesale jerseys Reino Unido depois de oito anos da gestão do conservador Boris Johnson.

Além da disputa política em si, as eleições de Londres foram marcadas por um contexto que o nome do candidato vencedor já deixa claro; afinal, Sadiq protest Khan não é exatamente o nome que esperaríamos encontrar em um prefeito inglês. E o novo prefeito confirma o que seu nome sugere: é muçulmano e filho de paquistaneses. Nasceu em Londres, mas, como grande FUARI’NDAYIZ! parte da população de sua cidade natal, identifica-se também com a terra de origem dos seus antepassados. Do outro lado, Goldsmith pertence a uma tradicional linhagem britânica, tendo até mesmo estudado na mesma escola habitualmente frequentada pela família real.

A origem de Khan não foi explorada de forma explícita pela campanha de Goldsmith (embora tenha sido aventada por políticos mais à direita, como o vídeo “Stop the Muslum Mayor” deixa claro). Porém, segundo os defensores do trabalhista, a questão apareceu na disputa eleitoral por meio do interessante conceito de dog-whistle, ou “apito de cachorro”.

Explicando: os cães têm um sistema auditivo diferente do que têm os cheap nfl jerseys humanos, e por isso são capazes de ouvir frequência que nós não conseguimos captar. Isso possibilita a existência de apitos específicos para eles – com sons imperceptíveis para nós, mas que deixam os bichos em estado de alerta.

Na política, o “apito de cachorro” funciona quando alguém faz um discurso cujo conteúdo geral interessa a todos, mas parte dele é direcionado a um público selecionado, que ou conhece algo que os outros não sabem, ou que é especificamente mais sensível a determinado tema. Ou mesmo quando um conteúdo é referendado com uma boa dose de mensagens subliminares.

Goldsmith e sua campanha foram acusados de usar o “apito de cachorro” de maneira excessiva durante a disputa. Um exemplo, segundo quem aponta essa tese, está no repetido uso das palavras “radical” e “perigoso”, por parte de Goldsmith, para definir o adversário. O conservador não negou o emprego dos vocábulos, e disse que os mencionou no sentido político da cheap jerseys coisa – “radical” seria uma referência à inflexibilidade de Khan, e “perigoso”, um indicativo do risco que os londrinos fariam ao eleger um político inexperiente para o posto. Porém, designar a um muçulmano os adjetivos “radical” e “perigoso” e não esperar interpretações distintas da original é, no mínimo, muita ingenuidade…

Outro “apito de cachorro” acionado por Goldsmith apareceu em um ataque feito por ele ao ex-prefeito Ken Livingstone. O ex-mandatário, em uma entrevista sobre Israel, criticou pesadamente o sionismo e disse que Hitler endossava a ideia até mudar de opinião e decidir pela perseguição de judeus. A frase foi mal-recebida na Inglaterra e criticada dentro do Partido Trabalhista, o de Livingstone – até mesmo por Sadiq Khan. Porém, na hora de comentar o assunto, Goldsmith “esqueceu” da crítica apresentada por Khan, e disse algo como “Khan e Livingstone são do mesmo partido, compartilham das mesmas visões”.

Por fim, e esse talvez tenha sido o mais rebuscado dos “apitos de cachorro”, a campanha de Goldsmith enviou correspondências segmentadas a famílias de Londres destacando os perigos de eleger Khan. As cartas foram entregues a residências de acordo com a sonoridade dos sobrenomes – quem tinha sobrenome de origem hindu recebeu uma carta, outra foi para os de origem tâmil (do Sri Lanka), outra distinta foi aos sikhs (outra etnia Le comum na Índia), e assim por diante. Em todas, um elogio à contribuição daquela comunidade para o desenvolvimento de Londres, acompanhado de uma advertência: é melhor votar em alguém comprometido a combater o terrorismo, como Goldsmith (sugerindo que um muçulmano não poderia fazê-lo).

O resultado das eleições mostrou que o “apito de cachorro” não deu certo – pelo contrário, há quem atribua à tática a derrota dos conservadores. No entanto, é cedo para dizer que a estratégia sairá de foco. Teremos um ano de disputa eleitoral no Brasil. Veremos muitos “apitos de cachorro” por aí?

A história certamente nos dirá quem tem razão.

 

Olavo Soares