AV Comunicação | “Um pequeno país quer solucionar o maior problema mundial da atualidade”, por Olavo Soares
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“Um pequeno país quer solucionar o maior problema mundial da atualidade”, por Olavo Soares

8 de fevereiro de 2017

San Marino é um pequeno país encravado na Itália. Tem menos de 34 mil habitantes e uma área que não supera os 61 quilômetros quadrados – características que, na comparação com o Brasil, revelam uma nação de dimensões menores do que Holambra (SP) e população inferior à de Capelinha (MG). No entanto, apesar do perfil diminuto, San Marino busca ter um papel de relevo na resolução de um dos maiores problemas da contemporaneidade em todo mundo: a questão dos refugiados. A proposta é de Mirko Tomassoni, ex-chefe de Estado do país e membro do Partido da Esquerda Socialista Democrática de San Marino.

Ele defende que San Marino atue em duas frentes para dar sua contribuição. A primeira é oferecer o país como lugar para debates, aproveitando a boa localização e uma “tradição de neutralidade” da qual os samarineses têm orgulho. A outra é um pouco mais ousada: fazer com que o país se destaque na ONU e em outras organizações internacionais em que tem voto, como o Conselho da Europa. “San Marino, na ONU, tem um voto do mesmo nível daqueles dos países grandes, como a China”, explicou Tomassoni, em entrevista exclusiva à AV Comunicação.

Tomassoni lançou seu posicionamento em um pronunciamento no parlamento do país, feito durante a “Giornata della Memoria”, evento destinado a relembrar os horrores do holocausto. O mundo assistia aos primeiros dias do governo de Donald Trump nos EUA e às medidas mais do que controversas tomadas pelo republicano.

“Historicamente, a população samarinese sempre mostrou grande determinação para tutelar a sua soberania e independência, se opondo a toda tentativa de invasões. Sempre mostrando afeto ao seu território. Apesar disso, o povo também demostrou sempre disposição de ajudar quem precisa”, declarou Tomassoni. Ele lembrou que o país abriga hoje uma família síria, que está em San Marino desde junho do ano passado.

O ex-chefe de Estado sabe que seu país não tem condições de abrigar um número elevado de refugiados. Afinal, território e população minúsculos inibem ações positivas de maior monta. Mas confia na força do diálogo e no histórico – na época da Segunda Guerra Mundial, San Marino abrigou 100 mil italianos, feito que está imortalizado em uma placa no Palácio Público, a sede do governo local.

Tomassoni não compara a situação atual com a da Segunda Guerra – afinal, “hoje, não há guerra às portas de San Marino”. Porém, ele alerta que a Europa precisa se posicionar. Os riscos existem, direitos humanos são desrespeitados em toda parte e, dos grandes aos pequenos, há sempre um campo de ação. Seu país é a república mais velha do mundo, com a mais antiga constituição ainda em vigência; quem sabe, dessa estabilidade saia um exemplo de que o mundo precisa.

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