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“Um triste adeus na tragédia que devastou o país”, por Gabriela Guerreiro

1 de dezembro de 2016

A queda do avião da Chapecoense, que deixou 71 mortos, calou o Brasil. Todos se uniram à dor das famílias, parentes e amigos daqueles que se foram de forma tão rápida, trágica e inesperada. Além dos jogadores, comissão técnica, dirigentes e tripulantes, 20 jornalistas morreram enquanto seguiam para cumprir, por mais uma vez, o seu dever de informar.

Nunca tantos profissionais de imprensa haviam perdido a vida de uma só vez, no que se transformou, também, na maior tragédia da imprensa brasileira – ao lado do pior episódio da história do nosso futebol. Homens que deixaram seus lares e famílias para trabalhar, seja em campo, fora dele, ou nas arquibancadas.

No caso dos jornalistas, trabalhadores que seguiam para narrar para quem ficou bem longe um pouquinho da emoção que seria vivida por aqueles 11 jogadores em campo.

Quem viveu o jornalismo “na veia”, como gostamos de falar entre os colegas de profissão, sabe a paixão que move aqueles que têm como função a de informar. Os 21 colegas que seguiram para Medellín, na Colômbia, com o objetivo de acompanhar o que seria o inédito jogo da Chape contra o Atlético Nacional pela final da Copa Sul-Americana, estavam ali motivados por essa paixão. Um deles conseguiu sobreviver.

Quem viveu o jornalismo “na veia” sabe o quanto é difícil deixar família, filhos, pais e mães, em viagens, investigações ou pautas que, muitas vezes, se estendem por dias – como seria o caso dos colegas mortos no acidente.

Quem viveu o jornalismo “na veia” sabe que, mesmo com redações enxutas, baixos salários e jornadas exaustivas, o que move esses profissionais é a vontade de dar o seu melhor ao informar a população – seja falando sobre Esporte, Política, Economia ou a respeito do cotidiano de uma cidade do interior.

E ainda há quem questione o trabalho da imprensa, que diga que “não serve para nada” ou que deve “caminhar para o seu fim”. Acima de qualquer crítica – que pode e deve existir ao trabalho da mídia – o papel dos jornalistas se faz ainda mais necessário em casos como o da Chape, em que informações desencontradas e não oficiais angustiaram famílias desesperadas por notícias até as confirmações oficiais das mortes.

Que todas as esposas, filhos, pais, mães, parentes, amigos dos mortos nesta tragédia consigam ter consolo em meio a tanto desespero. Aos colegas jornalistas que perderam as vidas no acidente, toda a homenagem e respeito. Que sigam em paz após vidas dedicadas em grande parte à paixão pelo simples – mas cada vez mais necessário – dever de informar.

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